Dia da Mulher: história de Rejane, uma das paneleiras que mantêm tradição viva

Para Rejane Correa Loureiro, a panela de barro, além de ser a sua principal fonte de renda, é também conexão com outras mulheres de sua família, como também da comunidade local.

Por Redação Jornal da Serra

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O ofício das paneleiras, desde sua origem, vem sendo cultivado por mulheres fortes e talentosas, que trabalham dia após dia para produzir o que, para nós, é um dos símbolos da cultura capixaba. A panela de barro está presente em muitos lares capixabas, junto a outros elementos culturais como a moqueca.

Para Rejane Correa Loureiro, a panela de barro, além de ser a sua principal fonte de renda, é também conexão com outras mulheres de sua família, como também da comunidade local.

Dia da Mulher: história de Rejane, uma das paneleiras que mantêm tradição viva

Divulgação CDTIV

A forma de produzir as panelas é passada de mãe para filha, como conta Rejane. ” Minha mãe é paneleira e nosso trabalho é passado de mãe pra filha, de geração em geração. Cresci vendo minha mãe fazer panela, pequenininha eu ajudava ela nos acabamentos, eu ficava no quintal de casa alisando as panelas para ganhar um trocadinho para comprar balas. O tempo passou e já adolescente eu aprendi a produzir e vender. Assim, passei a comercializar profissionalmente”, contou.

A escolha de ser paneleira

Rejane é formada em Pedagogia e pós-graduada na área de educação infantil, mas, segundo ela, seu coração não estava lá. “Sempre amei trabalhar com criança, mas eu amo , em primeiro lugar, o meu ofício de fazer panela de barro, não largo mão. Já fui para sala de aula, não consegui ficar pra dar aula, porque eu falei: A gente tem que fazer o que a gente tem prazer e o que faz a gente feliz e fazer panela é uma realização pra mim, o meu dia fica maravilhoso quando eu venho, se eu não vier fazer panela tem alguma coisa errada acontecendo”, disse.

Relação das paneleiras com o Galpão

A construção do Galpão das Paneleiras foi um grande passo para o comércio das panelas. Rejane também compartilhou uma das primeiras memórias dela com a estrutura e se recordou dos primeiros passos da Associação das Paneleiras de Goiabeiras.

“Eu era pequena e estava alisando uma panela. Lembro que trabalhávamos na casa da minha tia, Melquíades. Ela foi a primeira presidente da Associação. Na época, não havia eleição e não tinha Associação registrada. A casa era aqui em Goiabeiras, na rua Leopoldo Gomes Sales”.

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Desde as primeiras lembranças, muitas coisas mudaram, como conta a paneleira. “No começo, houve alguns altos e baixos, toda convivência com pessoas diferentes é difícil, mas com o passar dos anos, todo mundo foi se acostumando um com outro, é uma vida que nós estamos aqui, tem 35 anos que o galpão existe, então já vinha lá da casa da minha tia sabendo fazer panela, viemos pra cá e estamos aqui até hoje, praticamente aqui é a nossa casa, na verdade é até a primeira casa, pq passamos mais tempo aqui do que em casa, todas aqui passamos mais tempo aqui do que em casa. Tem respeito, tem união, carinho, de vez em quando tem umas desavenças, mas nada que faça a gente ficar sem se falar por muito tempo”, contou.

Os frutos do trabalho como artesã

Após anos trabalhando com ofício das paneleiras, Rejane colhe os frutos e olha para trás com orgulho da sua história. “Trabalhar com panela de barro e aqui no galpão, me proporcionou muitas coisas, primeiramente foi o caso da faculdade, fiz faculdade particular, paguei tudo com a renda do galpão, paguei minha formatura, tudo com o galpão. Tive o apoio do meu marido, mas a maior parte foi com o galpão. E eu também me sinto muito , eu tenho uma força muito grande”, compartilhou orgulhosa.

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“Independente do trabalho, eu carrego um legado, eu carrego uma história que eu tenho o prazer de contar. Eu acho uma história que não pode morrer, eu tenho muito cuidado para que a minha não morra. Acho lindo uma história viva ser contada e passada pra frente, então quando vem turista, quando vem pessoas que não conhecem nosso trabalho eu tenho prazer de mesmo não trabalhando, contar minha história”, disse a artesã. Diante tanto tempo de jornada e caminhos percorridos, Rejane Correa Loureiro, de 48 anos. Compartilha sua jornada e a intensidade de ser parte do legado de muitas mulheres.

Por SEGOV/SUB-COM, com edição de Andreza Lopes

Com a colaboração de Bárbara Bueno Sá

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