A quem serve a candidatura de Felipe D’Ávila

Depois do fracasso de Moro e da saída de nomes como Doria e Mandetta da corrida presidencial, alguns agentes políticos defendem Felipe D’Ávila (NOVO) como um nome legítimo para a chamada ‘terceira via’, mas não é bem assim. Tabela de conteúdoJoão Amoêdo como alternativaA traição internaA invenção: D’ÁvilaO debate foi a prova do despreparo João […]

Por Erik Zannon

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Depois do fracasso de Moro e da saída de nomes como Doria e Mandetta da corrida presidencial, alguns agentes políticos defendem Felipe D’Ávila (NOVO) como um nome legítimo para a chamada ‘terceira via’, mas não é bem assim.

Felipe D'Ávila

Luiz Felipe D’Ávila, candidato à Presidência da República pelo NOVO 30.

João Amoêdo como alternativa

João Amoêdo, um dos fundadores originais do partido, construiu uma candidatura em 2018 sem direito à participação nos debates, façanha que não conseguiu mesmo com ampla campanha nas redes sociais. Correndo por fora num pleito onde Jair Bolsonaro abraçou o ideário liberal através de Paulo Guedes, antes deles serem considerados traídores pelos movimentos de rua, Amoêdo conquistou 2.5% dos votos, na frente de nomes tradicionais como Marina Silva, Henrique Meirelles e Alvaro Dias, cacifando seu nome como liderança de um segmento que pretendia crescer nos próximos 4 anos. Seu partido havia eleito 8 deputados federais, 11 estaduais, 1 distrital e 1 governador.

A vida política ia bem para João, foi uma das primeiras lideranças da direita a se tornarem oposição ao presidente, que considerava um corrupto, traidor e com péssima gestão sobre a pandemia. Amoêdo ganhou espaço na mídia, nas redes sociais e se aproximou do MBL e do LIVRES. Fazia parte do grupo de WhatsApp denominado “Polo Democrático” com outros possíveis presidenciáveis como Henrique Mandetta, que ganhou projeção nacional na pandemia, Luciano Huck, Eduardo Leite, Doria, Ciro Gomes e Sérgio Moro, visando unir todos eles, talvez com a exceção de Ciro, em apenas uma chapa para chegar ao segundo turno. O próprio ex-candidato pelo NOVO já detinha 5% das intenções de voto ainda no início de 2021, chegando a bater 7% em São Paulo, o que daria tração para liderar a terceira via quando os outros nomes fossem descartados, com probabilidade de ter dois dígitos e ultrapassar Ciro após a desistência de Moro, mas nem tudo eram flores para nosso ‘João de Santo Cristo’.

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A traição interna

Parte do sucesso de Amoêdo como líder vinha da falta de ‘papas na língua’, o que não excluía nem os membros de seu próprio partido. João criticava os parlamentares que mantinham a atuação do “critico quando erra e elogio quando acerta” e até mesmo colocava o nome de Romeu Zema, governador de Minas Gerais, no fogo, tudo pela falta de posição negativa quanto à Jair Bolsonaro, o que foi apelidado pelo Movimento Brasil Livre de ‘mais ou minions’.

O racha estava dado. Quando 36 dos 40 integrantes da Convenção Nacional do partido NOVO — que por regras internas não tinha a participação de parlamentares, para supostamente manter a independência entre o institucional e o estatal — convidaram Amoêdo para ser o pré-candidato do partido, convite que foi aceito, os parlamentares e Zema começaram a fritar nosso João de Santo Cristo, colocando o deputado federal por Minas Gerais Tiago Mitraud como alternativa e exigindo prévias. Apenas 12 dos 52 mandatários do partido não assinaram essa carta absurda feita pelo conhecido aliado de Guedes, Marcel Van Hattem. Claro que o principal motivo da divisão interna foi considerado a incisividade de João contra Bolsonaro e seus ministros.

O resultado? João Amoêdo desistiu de sua pré-candidatura por não conseguir unir o partido. E João de Santo Cristo não conseguiu seu objetivo quando entrou na política com o diabo ter, ele queria liderar um projeto político independente para ajudar toda essa gente que só faz sofrer.

A invenção: D’Ávila

Obviamente Tiago Mitraud jamais foi candidato pelo NOVO, na verdade, meses depois foi anunciado como vice para não ficar tão escancarado que sua participação em uma possível prévia era totalmente farseira para queimar Amôedo. Nem as prévias em si ocorreram. Ao invés disso, convidaram um desconhecido cientista político e empresário para se candidatar, alguém que não teve história no partido e nem na difusão do liberalismo. Luiz Felipe D’Ávila é o nome dele, um homem que pode ter suas virtudes como seu mestrado em Harvard, seus livros e a criação do Centro de Liderança Pública. Porém, fica claro que escolha por Felipe é motivada por ser desconhecido, impedindo o crescimento de um projeto presidencial de verdade que obrigaria os entusiastas do bolsonarismo no partido a darem palanque para uma liderança forte com discurso incisivo contra Lula, mas também contra Bolsonaro.

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O debate foi a prova do despreparo

Como o NOVO elegeu mais de 5 parlamentares em 2018, o partido tem direito à presença nos debates presidenciais, logo, D’Ávila pode comparecer, algo que aconteceu no primeiro e único debate até o momento: o da Band. Neste programa, Felipe não brilhou, muito pelo contrário. Sua participação foi para levantar a bola pro Ciro chutar e também para ser engolido pelo Lula. Sem, claro, qualquer crítica real a Jair Bolsonaro. Ele insistiu o tempo todo no uso de fundão pelos outros candidatos, o que seria válido se não fosse um momento em que o brasileiro jamais poderia considerar o tema como essencial. Por último, ainda teve a terrível proposta de zerar o carbono no Brasil, algo impossível para um país de terceiro mundo, sendo que os desenvolvidos estão enfrentando problemas de cumprir suas metas nesse sentido.

A conclusão que fica é aquela que eu aviso desde 2020: o NOVO ficou VELHO muito rápido!

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